Sou filha, sou mãe, sou completa é o cacete!

em 12 de maio de 2017

Mais uma vez lá vou e falar da internet e da necessidade humana em insistir parecer o que não é! 

Deparei-me com essa postagem... “Sou filha, sou mãe, sou completa.” Umas 10 ou 12 vezes na minha timeline, mas que mentira!!! Primeiro porque eu conheço as pessoas que as postaram e segundo porque eu desconfio de toda e qualquer pessoa que precisa GRITARRRRRR para o mundo que é tão completo assim... Segundo, sendo eu uma pessoa completa eu não estaria “sambando” na cara das pessoas que possuem dores em si, terceiro, menos né cu-lega!

Mas, eu vou me ater ao segundo item... Por acaso sendo você uma pessoa tão completa e como se diz hoje nas redes “plena” não pensou que você está cagando na cabeça das pessoas que nesse momento padece a dor de não conseguir ser mãe? Pois é, você não pensou? Do alto da sua soberba, da sua arrogância, você não teve a sensibilidade de pensar quantas outras mulheres que as vezes estão ao seu lado sofrendo, caladas e tentando engravidar e não obtendo sucesso? Você conhece essa dor? Eu conheço... E, não porque essa dor seja minha, eu não tive filhos por opção e se amanhã eu vou ou não me arrepender, amanhã a gente discute, ok? Mas hj, eu estou falando de mulheres que sofrem de verdade porque sonharam com essa realização que você ‘completona’ teve e, hoje esfrega como quem esfrega uma bucha de aço na cara fragilizada de outras mulheres até sangrar... Suas palavras doem... Eu queria que nesse dia das mães, você meditasse sobre isso e quem sabe nesse dia sensível enfim possa sentir o quanto suas palavras insensíveis podem ferir...

É cansativo, dolorido. Uma mulher se sente pequena, incapaz, solitária, pois são meses de tratamento e as vezes quanto dá certo, as vezes quando já fez o enxoval, preparou o quarto, perde... Não uma, mas duas, três, diversas vezes!!!


Então, talvez antes de você postar sua plenitude, você possa pensar que suas palavras possam ferir como ácido e diminuir ainda mais e fazer o outro ainda menor, menos significante. Quando na verdade todos nós temos nossas deficiências, assim como eu tenho a minha em digerir certas arrogâncias como essas... Eu conheço as minhas, admito e tento lidar, embora em geral falho. Mas, tem uma coisa que venho tentando praticar, calçar as sandálias do outro. 

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