Martha Medeiros

em 8 de março de 2017


“Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.”
(Martha Medeiros)

Martha Medeiros, 20 de agosto de 1961 é jornalista, escritora, aforista e poetisa brasileira.
Filha de José Bernardo Barreto de Medeiros e Isabel Mattos de Medeiros, é colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro.
Mãe de Júlia e Laura, estudou num dos mais tradicionais colégios de Porto Alegre, o Nossa Senhora do Bom Conselho, no bairro Moinhos de Vento. Formou-se em 1982 na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre.
Trabalhou em propaganda e publicidade, mas logo se sentiu frustrada com a carreira. Foi quando teve a oportunidade de passar 08 meses morando no Chile, na qual passou escrevendo poesia, acabou sendo um divisor de águas na sua vida. Quando voltou para Porto Alegre, começou a escrever crônicas para jornal e, a partir daí, sua carreira literária deslanchou.

Martha, em minha opinião é uma das mais sensíveis e talentosas escritoras contemporâneas. Temos o privilégio de ter uma mulher tão arrojada, feliz e entregue em nossos dias escrevendo e trazendo a luz nossos pensamentos, desejos e sonhos, colocando em palavras de formas tão sucintas e claras. Como mulher sinto-me envaidecida e representada. Há cerca de 3 anos atrás eu trabalhava em um outro projeto e precisava de umas informações a respeito de Martha que se embaralhavam com a da biografia de outra Martha talentosíssima, a estilista alagoana e comentei com alguns amigos do meio literário que me disseram, “Imagina é perca de tempo, ela não vai responder...” Mas eu, teimosa que só, rs, enviei o e-mail para a Martha e para minha surpresa e alegria a resposta chegou em poucas horas, com as informações que eu precisava, ainda outros esclarecimentos e um simpático pedido para que eu enviasse o link pois ela gostaria de ler a matéria. Obviamente, um incentivo para uma pessoa como eu que apenas estava começando, dando uns primeiros passos vacilantes, mas carinho esse que guardo num lugar quentinho no meu coração. 
Poderia deixar muitos textos de Marta e-ou trechos para vocês porque definitivamente sou fã, mas eu escolhi com a emoção esse e espero que gostem...

Definitivo

"Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional..."

(Martha Medeiros)

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