Tati Bernardi

em 15 de fevereiro de 2017


“(...) Os grandes amores são assim mesmo, eles nos dão o caminho da emoção, mas os sentimentos de verdade são apenas nossos, ninguém copia, ninguém leva, ninguém divide...”
(Tati Bernardi)

Tati Bernardi, nasceu Tatiane Bernardi Teixeira Pinto (São Paulo, 29 de abril de 1979), é uma contista, romancista, cronista, roteirista e jornalista brasileira. Suas obras são particularmente dirigidas a mulheres jovens.

De descendência italiana. Formou-se em publicidade pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e, após trabalhar em inúmeras agências de propaganda, tornou-se roteirista exclusiva para a Rede Globo. Já escreveu para telenovelas como Sangue Bom e A Vida da Gente, talk shows como Amor & Sexo, e sitcoms como Aline (baseado na tirinha epônima de Adão Iturrusgarai), Dicas de um Sedutor e Meu Passado Me Condena, a última exibida pelo Multishow entre 2012 e 2015. Em 2011 escreveu seu primeiro roteiro para um filme de longa-metragem, Qualquer Gato Vira-Lata. Em 2013 escreveu o roteiro para uma bem-sucedida adaptação para o cinema de Meu Passado Me Condena, na qual os atores Fábio Porchat e Miá Mello reprisaram seus papéis. Uma sequência, também escrita por Bernardi, estreou em 2015 e no mesmo ano ela lançou uma novelização dos dois filmes combinados.

Em 2006 Bernardi publicou seu primeiro livro de contos, A Mulher que Não Prestava, seguido por Tô com Vontade de Uma Coisa que Eu Não Sei o que É em 2008. No mesmo ano também lançou A Menina da Árvore, direcionado para garotas pré-adolescentes. Em 2010 lançou seu primeiro romance young adult, A Menina que Pensava Demais.

Em uma entrevista para a revista Trip datada de 2011, ela afirmou estar trabalhando num livro colaborativo independente e financiado coletivamente intitulado A Vaca, que foi eventualmente lançado no ano seguinte, com ilustrações de Nando Rodriguez. Seu trabalho mais recente, Depois a Louca Sou Eu, saiu em 2016.

Bernardi também já escreveu para revistas como Viagem e Turismo, Trip e VIP, e desde 2013 possui uma coluna semanal na Folha de S.Paulo, publicada toda sexta-feira.

Eu queria postar 20 textos da Tati porque eu amo o jeito como ela escreve, direto, despachado, apaixonado, visceral... Mas meu lado romântico falou mais alto! E escolhi o que meu coração pediu... Espero que gostem!

“Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção. Eu nunca respeitei sua banalidade, nunca entendi como podia ser tão escrava de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava.

Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo.

(...)
Não sinto saudades do seu amor, ele nunca existiu, nem sei que cara ele teria, nem sei que cheiro ele teria. Não existe morte para o que nunca nasceu.

(...)
Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença tão insignificante. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não queria e, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo.

Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença tão insignificante. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não queria e, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo.

Simplesmente isso. Você, uma pessoa sem poesia, sem dor, sem assunto para aguentar o silêncio, sem alma para aguentar apenas a nossa presença, sem tempo para que o tempo parasse. Você, a pessoa que eu ainda vejo passando no corredor e me levando embora, responsável por todas as minhas manhãs sem esperança, noites sem aconchego, tardes sem beleza.

(...) sinto falta de quando a imensa distância ainda me deixava te ver do outro lado da rua, passando apressado com seus ombros perfeitos. Sinto falta de lembrar que você me via tanto, que preferia fazer que não via nada. Sinta falta da sua tristeza, disfarçada em arrogância, de não dar conta, de não ter nem amor, nem vida, nem saco, nem músculos, nem medo, nem alma suficientes para me reter.

Prometi não tentar entender e apenas sentir, sentir mais uma vez, sentir apenas a falta de lamber suas coxas, a pele lisa, o joelho, a nuca, o umbigo, a virilha, as sujeiras. Sinto falta do mistério que era amar a última pessoa do mundo que eu amaria.”

(Tati Bernardi)

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