Respeite seu direito de ser frágil

em 8 de novembro de 2016


Eu não sei você, mas a maioria de nós foi educada para ser forte, mais do que pelos nossos pais, pela nossa família... Essa semana uma frase me impactou, que foi a que a mãe de Hillary Clinton disse a ela com apenas 07 anos de idade “nessa casa não há covardes, volte lá e se vingue”. Duas coisas me chamaram a atenção, a semelhança com a educação que recebi em minha casa e a palavra “vingue” que advém de vingança, que é forte e feia, eu aprendi isso e provavelmente você também.

É bonito ser forte, não? É bonito ter sempre uma solução pra tudo... Um sorriso no rosto! É legal ser a mulher maravilha... É lindo ter uma rede social cheia de fotos felizes, cheia de amigos, festas, regadas a “champs”... Mas vem cá me diz, onde é que a gente enfia as frustrações? As fragilidades? As dores da vida?

Quando as pessoas detectam em nós “a fortaleza” que nós “demonstramos” ser, passamos a ser o porto seguro de muita gente, quando na verdade nós mesmos não temos nem um colete salva vidas e estamos nos afogando nas nossas frustrações pessoais... Amigos, familiares começam a despejar seus problemas e nós as “mulheres maravilhas” e “super homens” não podemos dizer “não”! Isso não! Seria demonstrar nossa fragilidade.

Roubamos de nós mesmos o direito de sermos frágeis, o direito de chorar, de sentir dor, de pedir colo e, um colo é tão bom, mas, às vezes a gente já até esqueceu como é ter colo, a gente esqueceu como é receber carinho, tem dificuldade de lidar com elogio, a gente vira uma pedra, aparência de pedra, pode ser diamante que é mais bonito, mas, estamos longe de ter a mesma resistência.

Acontece que em algum momento a vida, o corpo vai cobrar... Nós não nascemos para ser super heróis! Nós somos só mais um ser humano frágil e temos que aprender a respeitar o nosso direito de sangrarmos as vezes, porque na vida muitas coisas irão nos machucar e isso vai doer e precisa sangrar, para depois sarar... Às vezes a gente sangra em lágrimas, às vezes em palavras quando desabafamos... Quando a gente guarda tudo isso é como represar nossas frustrações, medos, tristezas e o estrago é bem grande...
Não vale a pena querer ser o que não somos, respeite o seu direito de ser frágil, respeito o seu direito de ser humano... Estou dando apenas os primeiros passos, caio muito sabe? Meu corpo está todo comprometido pela minha teimosia em tentar ser quem eu nunca fui... Mas hoje eu aprendi a respeitar minha fragilidade.

Vou deixar aqui com vocês um vídeo de uma canção que se interpretada diz muito do texto acima e que eu amo...

“Quando eu soltar a minha voz por favor entenda
Que palavra por palavra eis aqui uma pessoa se entregando
Coração na boca, peito aberto, vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida que eu estou cantando...” (Gonzaguinha)


2 comentários

  1. Tão verdade Deia. É muito bom sermos fortes e batalhadoras, mas de vez em quando temos que nos permitir parar, respirar e também sermos fracas e sermos cuidadas. A palavra do momento é o "empoderamento" e o feminismo super em voga, acho que é super válido, mas temos esquecido que somos femininas também e que um cuidado de vez em quando faz bem.

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