Braços abertos

em 16 de outubro de 2016



De tempos em tempos eu me pego pensando em quantas coisas legais eu gostaria de fazer, viagens, mochilão, aqueles cursos que nunca rolaram... 

Aquele procedimento, morar um tempo fora, intercâmbio, a faculdade dos sonhos... Mas, a gente joga todas as frustrações na conta “das coisas que nos impediram de fazer” o que a gente sonhava e aí cabe tudo e todos! Cabe até culpa, culpa quando lembramos alguma chance que tivemos e deixamos passar, alguma porta que abriu e a gente não entrou e não entramos por que? Porque é mais fácil, menos temeroso e mais confortável ficar onde não corremos risco.

Passamos anos, ou a vida toda no cantinho confortável. A gente se esconde do nosso medo achando que estamos seguros na família, no trabalho, no casamento, numa comunidade, numa cidade, quando na verdade nada disso nos protege dos nossos próprios julgamentos e, esses são os piores! 

Eu admiro demais quem se joga... Quem consegue se aventurar... Quem se permite provar as coisas da vida, eu assisto com brilho nos olhos e inveja, admito. Fico pensando em quanto o mundo é grande e quanta coisa a gente perde presos ao medo, protelando. Penso tanto que as vezes até entendo a minha cabeça doer... As vezes chego a pensar na frustração de Deus olhando lá de cima e pensando: "fiz tudo isso e essa criatura não usa nada!"

Uma coisa é fato, quando a coisa começa a incomodar a gente precisa levantar e dar o primeiro passo, quem sabe a gente em algum momento comece a dar uma corridinha e visualizar novos coloridos... 

Quem sabe um dia a gente consiga mudar o trajeto? São pequenas coisas? Sim. São. Mas precisamos começar de alguma forma. Não podemos esquecer que nossas atitudes são sedentárias. Pequenas corridas, uma mudança aqui outra acolá... 

Talvez caia, ninguém disse que não vai doer, tornozelo, coluna, joelhos, mas, e o vento no rosto? Não vale a pena? E ver as folhas caindo? E o cheiro das flores?

De passinho e tropeção, paradinhas e apoia para respirar, quem sabe uma hora a gente começa a correr de braços abertos e quando se der conta a gente já fez aquele curso... Está tocando violão numa praia ou morando em outro estado? O que não impede que a gente de uma corridinha de volta para abraçar quem se ama. E o que importa se a gente estiver velhinho se estivermos sorrindo?

0 comentários :

Postar um comentário

Deixe aqui seu comentário, é muito importante para nós!