Gastroplastia e eu...

em 8 de setembro de 2016

(antes da cirurgia e 01 ano depois - 45 kg off)


Eu fiz à famosa “redução de estomago” há 10 anos. E se você quiser me ver numa saia justa, me pergunte: “Você faria de novo?” Eu em geral tenho vontade de sumir quando as pessoas me fazem esse tipo de questionamento. Mas, eu vou explicar o porque.

Quando a minha médica me falou a respeito da cirurgia eu fiquei muito indignada... Eu??? Porque??? Eu não era gorda! Eu tinha só 135kg!!!

Sim, eu não me via obesa, eu tinha IMC 43, e não me achava obesa! Mas sabe porque? Eu não tinha na minha casa espelho de corpo inteiro, só de rosto, mas eu só me dei conta disso, durante as palestras, das quais eu participei durante 02 anos. Sim, sim, 02 anos!



 Após fazer todos os tratamentos para emagrecer, sem sucesso, minha médica foi investigando, eu tomava remédios e em um mês inteirinho (com dieta alimentar inclusive) eu eliminava 200 gramas. Não era muito legal não viu! Tanto que nesses dois anos, sim, 02 anos que antecederam minha cirurgia eu perdi 12 kg. Mas, o fator decisivo para a realização da cirurgia foi uma disfunção que eu tinha no pâncreas. Isso mesmo, ele era hiperativo, rsrs... Produzia insulina pra 03 pessoas, me impedindo de queimar calorias e assim perder peso e como todos sabemos a obesidade traz muitas morbidades, pressão alta, problemas nas articulações, colesterol e eu ainda tinha o agravante da fibromialgia, além da depressão e do pânico ao qual eu tinha me recuperado ha menos de 05 anos. Sim, obesa e anêmica. Eu já tinha anemia, eu nunca fui compulsiva. Nunca comi compulsivamente, nem uma caixa de bombom, nem comer por ansiedade ou tristeza, o que eu sempre fiz, foi comer errado! E então veio a reeducação alimentar. Minha maior aliada até hoje!

Aprendi a comer de tudo, tudo que eu nunca tinha provado e dizia não gostar.

Foi então que depois de 02 anos passando com todo tipo de médico, fazendo todos exames, participando de todos tipos de palestras e conhecendo muitas pessoas, algumas bem e outras mal sucedidas. Algumas não voltavam para o grupo, que eu fui para a cirurgia. Eu nunca vi a “gastro” de uma forma estética, mas não nego que me animava pensar em mim mais magra.

Entrar em uma roupa comum, sentar ao lado de outra pessoa no ônibus sem a pessoa me olhar com cara feia, poder comer em público sem todo mundo olhar com aquela cara de “ehhh gorda só come”! Coisas bem simples para qualquer um, mas, que para um obeso é impossível! Um dia antes da cirurgia eu ainda rodava pela cidade para comprar um pijama que não tivesse "cara da vovó", eu já sentia vontade de chorar, quando eu ouvi de um amigo-irmão-roqueiro a frase mais doce e que me fez sorrir da minha estupidez “Ah meu, relaxa, é a ultima vez que você tá passando por isso!”

Na noite que antecedeu a minha cirurgia eu tive uma ideia mágica, conversei tudo com a minha mãe e, tive a brilhante ideia de dizer que eu teria que ir pra UTI, (total mentira, meu médico havia me dito que se algo saísse errado eu ficaria 24 horas lá) porque eu pensei, que se ela me visse na UTI, ela iria desesperar (nunca faça isso por favor)...

Antes de entrar no Centro Cirúrgico eu tirei o anel que uso com meu nome e coloquei no dedo dela, um tipo de ritual, que estaríamos sempre juntas! Era como ir para o abatedouro? Sim! Era!!!!

Quando eu esperava meu médico, que eu exigi ver, um médico que deve ser orientado a fazer aquilo para nos encorajar disse: "Que rosto lindo!" Você quer ver um gordinho irado, fale isso! É como se dissesse: “Só o que se salva é o rosto, heim!!!” 

Tagarelei sem parar no C. Cirúrgico, até que ouvi uma enfermeira dizer “boa noite cinderela”! E acordei, com uma voz conhecida falando comigo... Minha mãe... Minha irmã molhava minha boca com gaze e minha mãe beijou meu rosto e disse: “Oi filhinha, deu tudo certo, você já esta aqui na UTI!” Eu entrei em desespero imediatamente, mas eu estava ainda anestesiada. “Que diabos eu estava fazendo na UTI?” Isso sinalizava que as coisas não saíram tão bem como deveria. Eu estava com todos aqueles aparelhos ligados em mim... Ouvi longe minha mãe se despedir e sair, alguém me dizer que ia tomar banho, aquilo era tudo muito louco, a próxima vez tinha alguém passando antisséptico na minha boca! Foram as 24 horas mais longas da minha vida, descobri que meu médico não viria me ver, tive que brigar pelo meu remédio da fibro, não vi minha família, e não paravam de me trazer gelatina que eu não podia comer! À noite fui para o quarto, minha mãe e minha irmã sempre comigo. Mas eu não respirava sem oxigênio...

Realmente foram dias muito difíceis! Operei na quarta, na sexta o médico me disse: “Se você não andar não te dou alta amanhã!” Uma cinta apertadíssima na cintura, meias de compressão, uma fisioterapeuta fazendo massagem pra você tossir e exercício para o pulmão, além de uma enfermeira que me contou toda sua vida amorosa. Quando o telefone tocava eu queria quebra-lo! Não sou uma paciente muito simpática devo confessar...

Em casa todos os cuidados, 40 dias de 20 e 30 ml de líquidos, depois a nutri mandava a dieta por e-mails, foi aí que começaram os problemas, eu não conseguia comer, passava muito mal. O cirurgião dizia que eu estava com medo de comer, de engordar. E mais grupos de tratamento. Psicólogos, terapias, dias e meses e nada, nenhum tipo de comida, nem sucos, nem sopas... Até que minha endócrino disse enfim o que ele tinha relatado, bulimia! Ele disse que eu tinha bulimia. Isso me deixou completamente indignada, obviamente contestei. Ela mandou novo relatório, ele pediu exames que não pode ser concluído, pois, meu estomago tinha sangramentos, mas ele insistiu, BULIMIA! Levei uma bronca coletiva dos meus médicos, saí de lá chorando. Minha médica me indicou outra clinica, fui até lá, refiz os exames e claro, era uma estenose, ou seja, a passagem do meu estômago para o intestino estava com 4mm não passava nem água, o normal é 18mm.

Nessa fase eu já estava completamente debilitada, com subnutrição, perdido muito cabelo, tinha até falhas. Os dentes quebravam, as unhas descamavam, eu era uma pessoa destruída.




Depois de uma longa briga com o plano de saúde, após 9 meses eu voltei pro C. Cirúrgico para fazer dilatação com balão gástrico, super abalada por ter perdido uma amiga uma semana antes no mesmo procedimento. Com um médico bem indicado, mas que não era o meu, pois ele se negou a fazer o procedimento, pois seria admitir o erro. Esse procedimento, que chamam popularmente de dilatação foi feito mais uma vez, porém até hoje tenho um processo digestivo muito complicado. Anemias constantes, problemas nutricionais com Vitaminas D, B, Cácio, ferritina, etc.

Então, quando me perguntam... Você faria de novo?

Sabendo tudo que eu passei, você faria?


Agora uma coisa, eu não tenho mais colesterol alto, nem problemas no joelho, nem desenvolvi diabetes o que era um risco evidente, a produção de insulina normalizou... Mas, ganhei uma hipoglicemia... Ou seja, depende do ângulo que se vê. Mas eu apesar de ter se passado 10 anos ainda não consigo sorrir e dizer “ai que bom que você vai operar!”

Porque eu conheço o lado difícil de tudo isso.


Tem mais uma coisa, a cirurgia bariátrica não é um milagre! Você opera e vai fazer regime o resto da sua vida, porque comeu, engorda!
A fada madrinha ta congelada em algum livro de conto de fadas.
E, mais. Eu não sou daquelas radicais que dizem que a “gastro” é uma mutilação... Mas não é fácil, no entanto uma coisa aconteceu que me mudou pra sempre, não sei se foi ela, ou a vida enfim...
Eu nunca mais serei a mesma, hoje eu já engordei, não como antes, mas, estou longe de ser aquela Andréia que eliminou 45 kg, isso já não é o mais importante. Hoje o importante é estar bem, estar saudável, vou pra sempre cuidar de mim, não perder os meus sonhos, acima de tudo me valorizo muito mais... Não serei menos feliz por uns quilinhos a mais, não vou deixar o complexo me adoecer, nem o olhar do outro me acusar, minha felicidade tem outros objetivos, hoje quem caminha ao meu lado eu escolho, minha felicidade é rara demais e viver é uma benção a qual eu aprendi a ser grata.


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