Pedes muito...

em 22 de maio de 2016





Pedes e  parece tão simples, mas o que me pedes me causa tanta dor, é algo tão distante daquilo que me permito e me vejo capaz de atender…

Pedes que siga…
Que prossiga, que leve adiante meus passos, como qualquer outro, quando me pede que o faça sozinha…

Pedes muito quando se afugenta na escuridão e na amargura de si mesmo, omite o evidente amor que brota a cada respirar e me diz do amor que nada somou...
...faz sangrar, doer, latejar!

Pedes muito, quando acelera meu coração a ponto de fazê-lo parar de alegria e no momento seguinte, expõe a indiferença fingida…

Pedes muito, quando arranca de mim, coisas que eu não quis dizer, das quais eu me escondi e fui exposta, colocada na vitrine, envergonhada e orvalhando-me a dor da morte!

Pedes muito, quando não dizes as palavras certas, quando não assume que sabes o que sabes bem! Porém me nega a verdade, para não expor a fragilidade do seu ser, como se o amor fosse algo que faz alguém mais frágil, ou fosse vergonha, ou tristeza, ou lástima!

Pedes muito, quando eu não vou… E, por âmbito de finalizar com tudo, arrasta mais essa angustia, me expondo ao frio, a dor, o vazio e a agonia, dos seus olhos que nada vingam, mas torturam a ambos!

Pedes muito, quando submete ao gélido amor do corpo que chicoteia minha alma, corta-a em tiras…

Pedes muito, pedes tanto!

Pede tanto, mas tanto que nem imagina…

Pedes… Sim, verdade?

Pedes tanto, que por vezes penso em atender, ainda que destroçada, ainda que sangrando, ainda que chorando as lágrimas negras da dor que compartilhamos…

Porém nego-te, nego-me…

Rendeste-se a uma dor sem fundamento, sem explicação não me arrastarei contigo…

Sucumbirá mesmo a essa maldade? Verdade?

Não!!! Mentira…

Desafio-te, olha-me… Não podes, verdadeiramente sei!

Atender-te-ei a tudo que me pedes, não quando dizes “sim, eu quero, já que pedisses…” Atenderei a ti, quando puderes me olhar e me pedir, sem esconder-se na sombra da noite, nos vidros frios de onde observa, ainda que não sem dor, a dor que em mim vive, e diga-me em verdade o que desejas… Então sim, pedes, e ainda que não sobre nada, nem palavra, nem som, nem pele… Atenderei!

O resgate ainda que manco de dor, com cicatrizes, olhos cansados, sorriso sem forças, abre os braços e diz: “Vem!!!” Deixa que a sombra nos acalme e que o chuva lave o entorpecimento.



Então, sim… Pedes tudo.



(Andréia Neves)

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