Apenas Maria...

em 16 de maio de 2016

A melhor e mais linda mãe do mundo!


E nasceu mais uma Maria, como tantas outras Marias...
De riso fácil, olhos castanhos claros e bochechinhas rosadas...
Era aquela pequena, apenas uma Maria.

Uma Maria que era filha do meio entre 07 irmãos...
Maria que tomava banho dado pela irmã, apenas 1 ano e pouco mais velha...
Era apenas mais uma filha, que recebia pouca atenção, não por desamor, mas, porque outras prioridades chegara a fila primeiro.

Uma Maria que cresceu e aprendeu a sorrir...
E, como sorria essa Maria!
Gracejos e situações que carregaria para sempre na lembrança.

Era apenas uma Maria, como qualquer outra...
Que casou aos 16 anos e engravidou na primeira noite...
Era essa Maria tão jovem, tão “livre”, mas já não tão contente.
Apenas uma Maria que perdeu um pedaço de si, mas, que seguiu sua vida, menos esperançosa do que antes
Uma Maria que já haverá conhecido a dor...

Uma Maria, que aprendeu com a vida, que os homens não são fiéis...
Que vivia muito mais tempo sozinha com seus filhos e que decidira que por eles, enfrentaria tudo!
E... Enfrentou essa Maria, mãe de 07 filhos, mas, só criou 04, 03 morreram...

Uma Maria que deixou seus filhos aos cuidados da mãe para começar uma vida nova...
Numa cidade grande, como grande eram as dificuldades!
Recomeçou e 06 longos meses depois voltou para buscar os “abracinhos” mais esperados do mundo!
Ah essa Maria, como tantas outras Marias... Tinha um sorriso nos lábios e lágrimas no olhar...
Era apenas uma Maria, grávida aos 31 anos, quando já não esperava mais... E, mesmo assim se alegrou!!! Nova vida, novas esperanças...
Ah essa Maria! Persistente, insistente, lutou e nunca se abateu pelas faltas...
Quantas faltas viveu Maria!

Era uma Maria, como tantas outras Marias, que viu seus filhos crescerem em meio a tantos problemas... “desestrutura” familiar, mas, o riso de Maria, fazia tudo isso se dissipar!

Uma Maria como outra qualquer que depois de 28 anos de casamento viu tudo acabar...
É Maria, é hora de mais uma vez recomeçar...
Enfrenta o medo Maria, inseguranças nunca sentidas e o desafio de acabar de criar os filhos sozinhas...

Era uma Maria, como tantas outras Marias que nunca trabalhara fora...
Essa Maria, foi criada pra ser mãe, esposa, filha... Mas, não para trabalhar fora. Porque algumas Marias eram ensinadas que o homem era o único provedor...
Contudo essa Maria, era prendada, pintava, bordava, fazia bonecas, crochê, tricô e sorria, ahhhh Maria, nunca esqueceu essa maravilha que é sorrir!!!

Era apenas uma Maria, como tantas, que viu seus filhos crescerem e casarem...
Maria avó, bisavó... Ah Maria como cresceu o amor em seu coração!

Maria como tantas outras que enfrentou dores no corpo e na alma, doenças que abalaram suas estruturas feitas de fé e alegria... Ah Maria, superou cada desafio! Danada essa Maria.

Essa Maria, como tantas outras Marias envelhece, sem gostar do verbo envelhecer!
Essa Maria, como algumas outras Marias, gosta de música, fotos, fast food e shows... Mas essa Maria gosta mesmo é de abraço, beijo, “xero”!!!

Uma Maria como tantas outras Marias, forte, mas com cicatrizes...
Maria que não perdeu o riso, mas chora!
Maria que ama e diz, sem medo!!!
Maria que lida com o outro com jogo de cintura...
Maria que sabe pedir perdão, quando nem precisa.
Uma Maria como tantas outras, que hoje em passos mais lentos, ocupa seu lugar de matriarca...
De uma família que por ela e para ela segue de pé.

Aquela Maria, que era apenas uma Maria se tornou única! E é em seu rosto, em seu sorriso, em suas lágrimas que prova, que essa Maria, nunca foi e nunca será uma Maria qualquer...
Obrigada Maria de sobrenome vital, pseudônimo Guerreira!

Déia Neves


Dedico esse texto a todas as Marias (sinônimo de mulher), pois não há quem não carregue um tantinho de Maria em si. Todo brasileiro tem uma mãe, irmã, tia, avó Maria.
Anas, Cristinas, Glórias, Paulas, Luizas, Fernandas, Divas, Milenas, Dulces, Renatas, Lurdes, Darcis, Carmens, Elianes, Marisas, Priscilas, Adrianas, Vidas, Carolinas, Santinas, Joanas, Camilas, Reginas, Franciscas, Antônias, Veras, Julianas, Danieles...
Seja qual for o seu nome, sinta-se reverenciada por ter recebido a benção de ter nascido um ser especial, que pouco a pouco ocupou seu lugar no mundo, que ama intensamente e que sabe que o exemplo é o maior legado a se deixar ao mundo.

(...)
“Se alguém lhe disser que sonha,
levantará com desdém o arco das sobrancelhas,
Pois jamais se viveu com tanta plenitude.

Mas para falar de sua vida
tem de abaixar as quase infantis pestanas,
e esperar que se apaguem duas infinitas lágrimas.

Cecília Meireles, in 'Poemas (1942-1959)'  - trecho de “Retrato de Mulher Triste”

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